terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Me roguem Praga, eu deixo!!

Às 9 da manha estava pronta. O Ygor me buscou com o corsinha que alugamos , pegamos a Vivien e a Helena e fomos, 4 brasileiros, rumo à Praga, capital da República Tcheca! Pegamos a autobahn alema (rodovia), sem limite de velocidade, e quanto mais chegávamos perto do nosso destino, mais a paisagem ficava branca. Foi a primeira vez que eu vi neve acumulada. O termômetro do carro pulou de - 6,5 para -10,5 °C durante o trajeto. Quanto mais perto chegávamos, mais aumentava o frio. No caminho fomos comendo jujubas alemas de cereja, ao som de clássicos como California Dreams ou Wannabe (Spice Girls). James Blunt, Brazilian Girls, Justin Timberlake e uma cantora francesa que tem uma música 'echt erotische', cujo sobrenome é Simon, mas o nome eu nao lembro. Mas o que marcou mesmo foi MGMT. Viciei. E a imagem que ficou do caminho foram as paisagens brancas e os pinheiros, ao som de Time to Pretend ou Kids.



Fronteira Alemanha - República Tcheca

O líquido azul que a gente esguixa pra limpar o vidro na neve faz , na verdade, o vidro ficar mais embacado. Depois de cruzarmos a fronteira, o sol surgiu, mas só pro dia ficar mais bonito, porque o termômetro do carro marcava -10°C.
Trocamos o dinheiro em um posto de trocas pouco depois de fronteira e me senti rica. Troquei 60 euros e recebi 1464 CZK (coroas). Aproveitamos pra ir no banheiro, que era pago. 10 CZK por pessoa, mas brasileiras que somos, eu e a Helena colocamos uma moedinha e nos esprememos na catraca para pagar uma vez só.
Antes de ir embora, um lanche rápido. Cachorro quente com mostarda, muita mostarda. 21 CZK. Menos de 1€. É estranho olhar um pacote de Pringles e ler ’56,00’. Parece os tempos de Cruzeiros… (não que eu me lembre muito deles, mas deve ter sido algo do tipo).
Chegamos em Praga, paramos o carro perto do Castelo e descemos naquele amontoado de neve! O Castelo fica no alto de um morro, de onde a gente pode ver toda a cidade. Aquele amontoado de casinhas com os telhados cobertos de neve, parecendo chantilly. Lindo.
Entramos no castelo, depois de passarmos pelos guardinhas, aqueles mesmo que ficam estáticos com aquelas roupas engracadas. Constatamos que é, nesse frio, o pior emprego do mundo. Visitamos a igreja que fica dentro do castelo, muito linda. Segundo a Vivien, no verao existem filas imensas e você mal consegue andar na cidade. Agradeci por ter ido no inverno, apesar do frio de matar.
Aí o amigo tcheco do Ygor chegou e ajudou a gente a achar o nosso hostel. No caminho reparei nas placas e percebi: alemao é fichinha. Como que as pessoas pronunciam esse tanto de consoante, e acentos em consoantes, e etc?
Achamos o Hostel. Muito bem localizado, segundo o rapaz. Um bondinho passa bem na porta. Dá pra ir pra todos os lugares com transporte público por ali. Alugamos um quarto para 3 pessoas, banheiro próprio, e saiu por 11 euros a noite pra cada. Muito barato. A parte de fora do Hostel é meio macabra, mas dentro o apê é muito bom!
O Ygor foi embora pro interior da República Tcheca e ficamos eu, Helena e Vivien. Estávamos com fome e fomos procurar um restaurante nas redondezas. Entramos no primeiro que vimos, um bem típico tcheco mesmo, porque nao estávamos na parte turística da cidade.


Cartaz de uma das bebidas alcoólicas fortíssimas da cidade, onde vendem também absinto 75% e vodka com sementes de maconha. Praga é o paraíso dos amantes de destilados fortes.

Nao tinha menu em inglês. Só tcheco. Não entendia nenhuma palavra, a não ser alguns cognatos como Spinàt, que quer dizer espinafre. Fumar era permitido dentro do restaurante. Escolhi um prato de 90 CZK, algo em torno de 4€. Escolhi porque a Vivien disse que tinha carne, e porque tinha ‘Portugal’ no nome. Mas foi um super tiro no escuro. Uma aventura pedir comida sem saber do que se trata. Com a bebida fui mais convencional. Uma Coca 300 ml, por favor. O garcom não falava muito inglês, nem alemão, o que não facilitou as coisas, e como não tínhamos nem ideia de como pronunciar o nome dos pratos, fizemos tudo na base do apontar os dedos e da mímica. Um tempo depois chegou um prato com arroz, uma folha de alface, uma rodela minúscula de tomate e um tantao de carne ao molho com muita cebola (argh) e pimenta. Algo parecido com Strogonoff. Bom que não foi tão estranho assim… Depois voltamos pro Hostel. Estava muito frio, nao tinha quase ninguém na rua. Às 5 da tarde estava bem escuro, e a impressao era de que já era meia noite, tanto que fomos dormir às 7, porque a recepcionista do Hostel nao estava lá pra nos ajudar a entender o esquema do trânsito na cidade.

Cara de quem está congelando a mao pra tirar foto

No sábado acordamos 7:30. Compramos pao e queijo pra tomar café no hostel mesmo e fomos pegar o metrô em direcao ao centro histórico de Praga, onde faríamos um tour de graca (gorjetas sao bem vindas). Um rapaz da Nova Zelândia nos esperava com uma sombrinha azul escrito free tour. Mas ressaltou a questao das gorjetas, claro. Fomos andar por Praga. Passamos pelo relógio astronômico, pelas igrejas, pelos cafés, pelo rio Vltava, pelo museu do Kakfa, pelo museu do Sexo.. esse merece um comentário à parte.

A torre da direita é mais grossa que a da esquerda: uma representa Adao e outra Eva.


Relógio astronômico, construído quando ainda achavam que a Terra era o centro do Universo


Turistas aos montes e japoneses paranóicos com máscaras

Vimos o panfleto no Hostel. Sex Machine Museum. Eu e a Vivien fomos, a Helena nao quis ir. No museu, aparatos de masturbacao de séculos passados, muuuito bizarros! Em um cineminha, revesavam a apresentacao de dois filmes pornôs filmados em 1925 a pedido do rei da Espanha 'para se distrair nas noites chuvosas e entediantes'. Muito engracado! A mulher bem gordinha, com o bumbum enoorme, todo cheio de celulites, seria O escândalo pros padroes de beleza hoje em dia! Eu e a Vivien rimos um pouco de tudo, nos surpreendemos com algumas outras coisas e saímos pra encontrar a Helena lá fora. (O museu tem site, digita Sex Machine Museum Prag no Google!) Depois ainda demos mais uma volta, compramos algumas coisinhas (Praga é tudo muito barato, e tudo muito bonito, preparem o bolso se forem pra lá) e voltamos pro Hostel. Descansamos um pouco e depois fomos comer em um pub perto do hostel mesmo. Nesse tinha menu em inglês, entao o tiro nao foi tao no escuro assim. Pelo equivalente a 4 euros eu comi um super master bife de frango empanado, com batatas fritas e salada. Tomei coca de novo porque suco de fruto é coisa que nao existe lá.
No domingo visitamos a torre de TV. Fomos de bondinho, que é bem melhor que metrô pra quem quer realmente ver a cidade. Lá de cima da torre dá pra ver vários ângulos da cidade, que é, definitivamente, a cidade mais linda que eu já visitei na vida! De lá fomos no cemitério judeu, onde o Kafka está enterrado, assim como várias outras pessoas, muitos alemaes, que morreram na 2° guerra ou antes dela. A maioria dos túmulos era de pessoas que faleceram no início do século passado..
Depois voltamos pro shopping perto do Hostel, fizemos umas comprinhas e fomos esperar o Ygor nos buscar pra voltarmos pra casa.
Muita neve no caminho de volta. Muito MGMT no som do carro. A neve caindo à noite na estrada parecem flocos de cristal em direcao ao carro. Tao lindo quanto perigoso. Eu estava travada, de encantamento e de medo. Definitivamente nao é pra mim essa coisa de dirigir na neve.
Mas chegamos saos e salvos em Eichstätt, depois de uma leve derrapadinha em uma das estradinhas regionais. Eichstätt estava toda coberta de neve, linda linda. Uma cidade de bonecas coberta de neve. Nao dá pra explicar!
Eu voltei de Praga com algumas conclusoes: falar tcheco é fod*, quem gosta de bebiodas destiladas fortes precisa visitar a República Tcheca, onde essas bebidas sao baratas e legais, Praga é LINDA e muito BARATA (em relacao às outras capitais turísticas da Europa), frio dói, e eu preciso voltar lá no verao, pra ter mais ânimo de sair à noite e badalar mais por lá!
Por favor, roguem-me Praga pra que isso possa de fato acontecer!

ps: pra variar, acabou a bateria da minha máquina, tirei muitas fotos com a máquina da Vivien e vou pegar depois, por isso ainda nao tem foto da ponte, a parte mais linda de Praga.
ps²: Estou postando de Amsterdam, onde cheguei hoje de manha depois de viajar algumas longas 12 horas de ônibus, o que merece outro post, mas nessa loucura de viagens, nao posso garantir!
Feliz Natal e Feliz Ano Novo a todos, caso eu nao volte aqui antes!!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Frohe Weinachten! How How How!

Nao devia ter ido na festa 'Bastards and Bitchys', pensei, assim que o celular despertou às 8 da manha no sábado. Sempre me arrependo da farra do dia anterior quando tenho que acordar cedo depois (e nem por isso deixo de fazê-las novamente, quando surgem outras oportunidades). Corri com a Sandrina pra encontrar a Helena e as demais belgas, Lotte e Jolien, na estacao de trem de Eichstätt. O trem partiria às 9:45 com destino a Nürnberg (Nuremberg em português). Lá eu conheceria uma das maiores feiras de Natal (Weihnachtsmarkt) da Alemanha.
O Natal aqui é uma tradicao forte, muito celebrada. Desde o fim de Novembro cada cidade tem a sua feira de Natal, na maioria das vezes proporcional ao tamanho cidade. A de Eichstätt é, portanto, minúscula, mas nem por isso deixa de ter seu charme...

Árvore de Natal em Eichstätt

Banda de Natal em Eichstätt

Luzes de Eichstätt

Artesanato

Nürnberg nao é a maior cidade do estado de Bayern (a maior é München, ou Munique), mas é relativamente grande e lá é o maior mercado natalino do estado, e o mais tradicional também. É o que dizem os guias de turismo, e é o que eu fui conferir, dormindo no trem durante o percurso de pouco mais de uma hora. Chegamos na Hauptbanhof, ou estacao principal, e fomos procurar a Magdalena, a mocinha alema simpática que hospedaria eu e a Helena no fim de semana. Minha primeira experiência com Couch Surf, bem sucedida, devo dizer. As belgas rumaram para o hotel delas; eu, Helena e Magda fomos andando pra casa dela, uns 15 minutos. Passamos no super, compramos mantimentos e nos surpreendemos com o apê da Magda. Uma gracinha. Fica na regiao sul da cidade, dois quartos, cozinha e banheiro. (inclusive, na parede do banheiro, tinha esse poster aqui http://alllayedout.com/Images/Funny_Posters/graphics/toilet_cam.jpg colado.. muito engracado!) Dormiríamos no quarto de hóspedes, em um sofá grandao. Nesse mesmo quarto, demos de cara com uma enorme quantidade de CD's e DVD's. Sam's Town, do The Killers, foi o primeiro que eu vi! Já gostei!
Conversamos um pouco, descobrimos que ela faz aniversário no mesmo dia que eu, ela nos ajudou a planejar nossos trajetos de bonde e metrô, indicou bares e boates bacanas e descobriu pra gente um restaurante brasileiro! Super prestativa e atenciosa, mas estava doente e nao poderia nos acompanhar. Nos entregou a chave da casa dela. Isso é que é ser Open Mind, como dizem os Couchsurfianos.

Magdalena, nossa Couch Hoster

Pegamos o bonde, descemos duas estacoes depois, entramos no metrô e descemos novamente na Hauptbanhof. O transporte público de Nürnberg merece um comentário a parte. É perfeito. Nos pontos de bonde, placas digitais dizem o número, a direcao e contam os minutos que faltam pro bonde passar. E eles sao extremamente pontuais, quando nao chegam adiantados!! Tudo é muito sincronizado e o máximo de tempo que esperamos por metrô ou coisa do tipo foi 5 minutos. Impressionante. Pagamos 6,30€ em um ticket para dois adultos e 4 criancas, válido pra todo o fim de semana, em toda a linha de bonde/metrô da cidade. Goiânia (e o Brasil inteiro) deviam seguir o exemplo. Deixaria meu carro na garagem tranquilamente com um sistema de transporte desses!
Voltando à Hauptbanhof, encontramos as meninas e fomos em direcao ao Weihnachtsmarkt. Com fome, comi um pao francês com 3 linguicinhas típicas de Nürnberg, muito gostosas por sinal. O centro de Nürnberg parece o centro de München. Mesmo estilao meio acinzentado, uma mescla de prédios antigos com prédios modernos e ruas largas. Acho que todas as grandes cidades aqui de Bayern devem ser meio parecidas.

Eu e Helena no centro de Nürnberg (Hauptbanhof ao fundo)

À medida que fomos chegando no Weihnachtsmarkt, foram aumentando as tendinhas vermelhas e brancas, com decoracao de Natal, vendendo doces (muuuuitos doces, chocolates, etc), uma infinidade de enfeites natalinos, comidas e Glühwein (vinho quente).

Frauenkirsche e as tendas vermelhas

Chegando no Weihnachtsmarkt


Pessoal aqui também adora um pao de mel, que eles chamam de Lebkuchen. Aí chegamos na feira. Me senti na 25 de Marco natalina. Muita gente e empurra empurra ao som de música natalina tocada ao vivo por uma orquestra.


Criancas se perdendo e gritanto 'mamaaaa', enfim, aquele caos de lugares lotados. Detesto. Mas como a feira era de coisas natalinas, e eu nunca tinha visto TANTA coisa natalina na minha vida, nem nada parecido com aquilo, eu ignorei (o quanto pude) a superlotacao e me joguei!


A feira é dividida em 3 partes: a feira principal, que toma conta de toda a Marktplatz; a feira internacional, com barraquinhas de vários outros países e suas coisas típicas; e a feira das criancas, com carrosel, algodao doce, muito chocolate, papai noel (nunca vi um tao parecido com papai noel de fato, bochechas rosinhas e tal) e etcs, fazendo a alegria da mulecada alema!

Todos os doces do mundo

Kindermarkt, a feirinha infantil

Ah, tudo muito lindo! E claro, muito caro. Demoramos umas boas 4 horas pra andar tudo aquilo, com pausa estratégica enquanto chovia para tomar um chocolate quente em um café ali perto e aproveitar pra usar o banheiro da cafeteria. Inclusive, tomar café com vista para o rio Pegnitz, que corta a cidade, tem seu charme.

Vista da cafeteria


Rio Pegnitz

Nao comprei muitas coisas.. resisti a tentacao (e meu bolso agradeceu) - mas só porque ouvi dizer que em Praga as coisas sao mais (bem mais) baratas.
À noite (o que significa 5 da tarde), saímos da feira e pegamos o bonde com destino ao Cantinho do Brasil. Eu achei que as belgas nao iam querer jantar por lá, mas elas adoraram a ideia! E nao só a ideia! Amaram arroz e feijao, adoraram os sucos de fruta e se empanturraram, assim como eu! Como foi bom ouvir um samba e um pagodinho, falar português com a atendente (uma baiana leeeeeeeerda que só), tomar suco de cajú e bicar os sucos de goiaba e acerola das meninas! E ouví-las tentando falar A-CE-RO-LA foi hilário! Comi quibe de entrada, arroz, feijao, picanha, milho e outras saladas de menu principal, com suco de cajú e depois um copao de Guaraná! Aaah... comida brasileira nao tem preco.

Restaurante e bar brasileiro

A melhor comida de todo o mundo

Na verdade, tem preco sim. 20€ em Nürnberg (pra se comer muito bem), e eu estaria disposta a pagar todo mês, se pudesse!
Detalhe para duas coisas:
1) Na porta do banheiro feminino, um cartaz com uma bunda e uma calcinha preta fio dental anuncia: depilacao brasileira 40€. Logo abaixo, desenhos explicativos com os tipos de depilacao e como ficaria a virilha, no caso. Os nomes eram os de praias do Rio. Leblon, Ipanema, Copacabana. Copacabana era depilacao total! Hahaha, morri de rir!
2) Tinha um grupo de uns 20 alemaes empolgados, falando sobre o Brasil, uma menina estilo caminhoneiríssima com uma camisa da selecao brasileira, e depois ficamos sabendo que alguns deles fizeram uma excursao Brasil adentro e apresentariam slides com as fotos ali no restaurante para os amigos. Queria ter visto, mas demoraram muito a comecar.
Depois de nos empanturrarmos de comida, fomos à procura de algum barzinho, pub ou coisa assim. Decidimos que nao iríamos a alguma boate, porque tinhamos gastado demais no jantar. Quando a Lotte sugeriu karaoke, plötzlich (de repente) surgiu um karaoke na nossa frente!
Entramos, nos sentamos, e escolhemos três músicas: Wonderwall (escolha minha), I'll survive (escolha da Jolien) e 99 Luftbaloons (escolha da Lotte). Enquanto esperávamos nossa vez, ouvíamos o pessoal cantando. Na boa, alemaes cantam MUITO bem! Pelo menos os que estavam lá! Um ou dois decepcionaram, mas na maioria cantaram muuuito! Fiquei meio emocionada quando cantaram 'What's Up', do Non Blondes. Foi a primeira música que eu gostei desde que me entendo por gente. Tinha 4 anos e cantava 'heeeeeeeeeeeey ieeeeeeeeei ieeeeeeei.. I sai heeei, uáts goin ooon'. Foi lindo!
Aí a garconete chegou e avisou que a próxima era 99 Luftbaloons. Nao me atrevi a cantar em alemao, mas filmei as meninas cantando! Hilário! Vou ver se consigo o vídeo e posto aqui.
O último bondinho e o último metrô passariam 00:45, por isso nao deu tempo de esperar a nossa vez nas outras músicas, e voltamos pra casa sem cantar. Na verdade, eu e a Helena voltamos cantando Wonderwall. E pegamos o bondinho errado. Quando chegamos na parada final, tivemos certeza disso. O controlador do bondinho saiu da cabine já dizendo tchau. Aí eu perguntei pra ele aonde estávamos, e disse que queríamos ir pra tal lugar, se ele sabia como poderíamos fazer. Ele foi o cara mais estúpido que eu já vi na vida. Disse que nao podia fazer nada, que a gente devia ter perguntado isso pra ele antes, e que nao podia fazer nada.. Aí eu disse que nao queria que ele fizesse nada, só respondesse onde a gente tava, e ele afirmou de novo que nao podia fazer nada, e só porque eu sou muito educada e cuidadosa, nao mandei ele tomar naquele lugar! (vai que ele sabe português né...). Todo alemao é educado? #FAIL.
Aí a gente saiu desejando toda sorte de azares do mundo pro imbecil do bondinho, e entramos correndo no metrô. Pegamos o primeiro que vimos e, já nele em movimento, constatamos que era o trem errado DE NOVO. E era o último. Depois, só trem de hora em hora, com linhas diferentes, das quais a gente nao conseguiu encontrar informacoes. Lascou-se, pensei. A estacao de trem estava vazia. Saímos em um bairro residencial, escuro. Tinha algumas pessoas, e eu sugeri à Helena que perguntasse pelo telefone de um táxi. Com o telefone anotado, constatamos que nenhuma das duas tinha crédito suficiente! Scheiße!! No auge do apavoramento, tentamos um telefone público (aqui nao tem essa de ligar a cobrar pra taxista) e fomos socando moedinhas (ainda bem que elas funcionam). Conseguimos. Ufa. O táxi nos buscou, pagamos 8€, chegamos duas da manha na casa da Magda, e ela atendeu a porta com aqueeela cara de satisfacao. Altas aventuras! Depois que passa a gente ri, mas eu lembro bem que a sensacao de estar perdida, de madrugada, sem transporte, sem crédito, sem nada, numa cidade desconhecida da Alemanha nao é legal!
Dormimos e acordamos às 10 no outro dia, comemos um café da manha reforcado com a Magda, que só ficou olhando, porque estava fazendo uma dieta de desintoxicacao e só bebia coisas há 5 dias (nada de comidas). Fomos encontrar as meninas de novo no Weihnachtsmarkt. Depois eu e a Helena fomos dar uma volta na parte antiga da cidade, muito charmosa. Mas eu tenho a sensacao de que todas as partes antigas de todas as cidades alemas sao iguais. Lindas, mas iguais. Isso fica meio chato com o tempo, mas eu sei que o fato de eu preferir turismo natural a turismo urbano pesa na minha opiniao.

Parte antiga da cidade

Casa sob a ponte, onde fica hoje o Museu dos Carrascos (sim, os que cortavam a cabeca das pessoas na Idade Média)

Às 5 voltamos pra casa da Magda. Connhecemos o namorado/amigo/ou algo do tipo dela. Um cara muito engracado, louco pra falar sobre o Brasil, e sobre as coisas que ele sabe a respeito do Brasil (basicamente, sobre Cidade de Deus, que faz sucesso por aqui). Assamos uma pizza, arrumamos nossas coisas, e fomos encontrar as meninas na Hauptbanhof pra pegarmos o trem e voltarmos pra casa, todas quebradas, monetária e fisicamente falando.
Em resumo: tenho a sensacao de que o Natal foi criado aqui na Alemanha; nao desisti de comprar uma bola daquelas de vidro com neve dentro (quem sabe em Praga); chove muito aqui; chocolate alemao é gostoso, linguicas alemas também, mas NADA se compara a arroz com feijao e picanha, e aos sucos brasileiros; e a decoracao natalina do Flamboyant nunca mais vai me surpreender. Pra quem gosta de Natal, um prato cheio!

Lojinha de enfeites natalinos

Minhas companheiras de viagem

Em tempos de Schweinegrippe (gripe suína) - na porta de uma lojinha